Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Onde estão vocês?

 

Outro dia estava a ver os meus sobrinhos a brincar. Fiquei triste. Achei que as crianças hoje já não sabem brincar. Não têm imaginação. Os brinquedos estão todos partidos e o sonho deles é terem uma “pleiestacion 2”. Passam os dias a verem televisão e por aí vai.
 
Lembrei-me de como era feliz na minha infância (estou a pensar seriamente em mudar o nome do blog para “Recordar é viver”). Andei uns vinte e cinco a trintas anos para trás e fui desembocar na Calçada do Rio, em Algés.
 
Naquela rua havia uma pequena praceta com um pequeno parque infantil, com aqueles brinquedos de ferro que hoje são proibidos por serem perigosos (!).
 
Éramos um grupo grande. Ali a imaginação voava a mil por hora. Éramos polícias e ladrões, astronautas, cowboys e índios, jogadores de futebol e de hóquei. Brincávamos de manhã à noite sem nos preocuparmos com nada. Fazíamos as nossas traquinices como qualquer criança. Partíamos os vidros das portas dos prédios com a bola. Atropelávamos quem nos atravessava à frente. E, uma das melhores que fizemos... vou contar.
 
Lá na praceta havia, como sempre há, um miúdo mais reguila e mais “mau” que os outros. Era o João. Um dia o João, depois de mais uma briga de que obviamente já não lembro a razão, foi a casa e trouxe a trela do cão para bater no resto do pessoal. Depois do João ter acertado uns dois, o Rui, que era o mais esperto, agarrou um pau e conseguiu enrolar a trela no pau. O João fugiu para casa. Mas, o João naquele dia tinha-se excedido e merecia vingança.
 
Agora vejam a cabecinha e a imaginação dos “bichos”. Decidimos fazer uma com requintes de malvadez. Corremos várias ruas e catamos todas as bostas de cão que encontramos (Ecaaaa!!! Como fui capaz de fazer isso). Depois recolhemos folhas das árvores e dirigimo-nos ao nosso alvo – O carro do pai do João. Espalhamos a bosta dos cães pelo carro e colamos as folhas na respectiva bosta. O carro ficou lindo, como podem imaginar. Quem não gostou foi o pai do João que foi de casa em casa dos culpados fazer queixa e obrigar os pais a pagar a lavagem do carro. Resultado: Uns quantos dias de castigo.
 
Também viajei para o parque de campismo do INATEL, na Costa da Caparica. Voávamos nas nossas bicicletas, corríamos livres, muito futebol, muita praia. Um grupo de amigos inseparável. Um dizia mata, o outro dizia esfola.
 
Tive uma infância realmente muito feliz. E tenho saudades dela. Mas, ao fim de recordar de tudo aquilo, apercebi-me que não foram as brincadeiras que me fizeram feliz. Eram os amigos.
 
E onde andarão todos eles? O Zé ainda está bem presente. Deu-me a honra de me deixar ser seu amigo até hoje. Mas todos os outros seguiram os seus caminhos sem eu saber onde estão.
 
O pessoal da rua – O Rui, o André, o Miguel, o Manel, o Gucha, o Carlos, a Tuxa, O João.
O Pessoal do campismo – o Paulo César, o Rui, O João Paulo, o Joãozito, a Sónia, a Susana, a Maria João, o Carlitos, as Carlas.
O Pessoal da escola primária – O Pedro, o João, o Gonçalo, o Ricardo, o José João, a Marina Aurora (o meu primeiro grande amor, que me tratava mal PA caramba), a Susana e tantos outros.
 
Onde estão vocês? Onde estiverem, obrigado por terem feito da minha infância uma infância realmente feliz... estejam onde estiverem.
apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: nostágico
publicado por Farroscal II às 17:43
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De Diogo a 2 de Março de 2009 às 11:14
Hoje, com casos Maddies e outros que tal, explorados até à medula pelos media e ávidamente devorados por pessoas que não têm mais nada que fazer, criou-se uma tal histeria colectiva, que os pais têm medo de deixar os filhos sair de casa por si e os miúdos já não podem fazer estas amizades "de rua"...
É uma pena, é, mas à falta de amigos do bairro, tem-se os "pleistations".
De Farroscal II a 2 de Março de 2009 às 12:02
Antes de mais obrigado pela visita e pelo comentário - Volta sempre. As jolas estão na "geladeira".
Tudo muda. Não conseguimos controlar essas mudanças. Os nossos pais diziam que nós não sabíamos brincar como eles, e nós hoje dizemos o mesmo. É certo que a violência aumentou, mas o problema não é só esse. Há trinta anos atrás a maioria das mães eram domésticas, e podiam estar constantemente a controlar os seus filhos. E, mais importante, uma mãe não tomava só conta do seu. Tomava conta de todos e todos lhe obedeciam. Hoje, por conta das mudanças, as mães têm os seus empregos (com o bom e o mau que isso trás) e esse controle não pode ser feito. E, além disso, quantos pais hoje admitem que um vizinho "participe" da educação do seu filhinho? Esse para mim é o maior problema. Uma sociedade fechada em que cada um fica só no seu quadrado.
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