Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Devaneios de um porco

Eu até posso ser mesmo muito burro (apesar de ser um porco), mas detesto que mo chamem na cara - Isto a propósito da nova lei de financiamento dos partidos políticos.

 
Confesso que não conheço ao pormenor a nova lei, mas para o que quero chamar a atenção isso também não importa para nada. O que quero chamar a atenção é para o facto de como o PS conseguiu controlar brilhantemente esta questão e tirar dividendos importantes para não se deixar afectar negativamente sobre o assunto.
 
Se não vejamos: A nova lei foi aprovada por esmagadora maioria pela Assembléia da República, com apenas uma abstenção e um voto contra – de deputados do PS, por sinal.
 
A bancada governista, com maioria absoluta, tinha indicação de voto. Contudo, houve dois insurgentes que se rebelaram contra a obrigatoriedade de voto imposta pelo partido, e um votou contra e outro absteve-se. E não se passou nada. Estranho não é? É que, há uns anos, quando se votou a lei do aborto, caiu o Carmo e a Trindade quando deputados do PS votaram contra o referido diploma. O partido abriu inquéritos, sindicâncias, foi um problema tamanho família. Agora não se passa nada. Estranho, muito estranho.
 
Agora, depois da lei aprovada, é que começam a surgir vozes bastante críticas a esta nova lei e que, por sinal, partem de ilustres figuras militantes do partido que detém a maioria da Assembléia. Afirmando mesmo, de forma grave, que esta nova lei é um abuso à democracia e que fomenta a corrupção nos meios políticos. E o PM, membros do governo e deputados do PS não dizem nada. Não se passa nada. Estranho, muito estranho.
 
Perante tamanha estranheza, vieram a esta cabecinha burra algumas indagações:
1º Porquê tanta passividade com estes companheiros que se insurgem contra uma lei aprovada maioritáriamente pelo próprio partido?
2º Porque é que só depois da lei aprovada é que estas ilustres figuras do PS (Vitalino Canas e António Costa) se pronunciam? Se eram tão críticos porque é que não se manifestaram antes da lei ser votada?
3º Porque é que os partidos da oposição, principalmente os da ala esquerda, estão tão caladinhos?
 
Como profissional de comunicação – dos maus, é certo – e profundo crente nas teorias de conspiração, tenho para mim que tudo isto é uma brilhante estratégia de comunicação para passar credibilidade, e suposta seriedade, ao partido que nos governa de forma tão competente e superior.
 
Com esta estocada de mestre o PS consegue passar para a opinião pública – que obviamente censura este tipo de medidas – que é um partido sério, honesto e democrático, que defende a “transparência” e a “moralização” da classe política e, ao mesmo tempo, ainda consegue deixar o ônus da questão nas mãos dos partidos de oposição, que concordaram a cem por cento com tal medida que, supostamente, favorece o aparecimento de corrupção nos meios político-partidários.
 
Tiro chapéu e curvo-me perante brilhante estratégia da parte do “Engº” Sócrates e dos seus correligionários e, ao “descurvar-me”, sorrio a pensar no Francisco Louçã que, a esta hora, deve estar a pensar: “Porra! Foram-me ao cu e não me pagaram.”
 
Mas isto são apenas devaneios de um porco burro (porco burro não me soa nada bem... mas “prontos”).
apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: um ser pensante
publicado por Farroscal II às 13:49
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Devaneios de um porco

Tenho lido atentamente todas as notícias políticas que me chegam além mar - O Sócrates para aqui, o Sócrates para ali. Tenho lido também muitos blogs com opiniões políticas – O Sócrates para aqui, o Sócrates para ali.

 
Por altura da última campanha eleitoral para a Assembleia da República, li uma entrevista no “Expresso”, que tinha sido televisionada um dia antes, entre os dois principais candidatos: o Dr. Santana Lopes e o “Eng” José Sócrates. José Sócrates tinha um discurso populista, de fácil compreensão, mas completamente vazio de conteúdo. Por seu turno, Santana Lopes, de quem não sou nada admirador, apresentava factos, contas, números e, mal ou bem, delineavam um caminho para o seu governo. O povo, quem mais ordena, escolheu o “populista”, que ainda teve o azar de apanhar com uma crise mundial pelo meio, e o resultado está à vista – Muita parra... nenhuma uva. (estão a queixar-se do quê? Ele avisou. Agora aguentem-se).
 
Muito se diz e muito se escreve nos blogs. O interessante é que os opositores do Governo não dão tréguas ao nosso premier e, os seus “apoiadores”... também não o defendem. Podem até tentar justificar isto ou aquilo no governo, mas ninguém defende o homem.
 
Agora, o engraçado é ver as movimentações dos partidos. O PS finge que governa – com a crise instalada e com um país sem qualquer estratégia feita nos últimos vinte anos, é difícil fazer melhor; O PSD e o CDS fingem que fazem oposição – Quem é o burro que quer ser governo nesta altura do campeonato? A altura é de queimar alguns “patos”; O BE continua a sua cruzada populista e demagógica para conseguir mais cadeirinhas e, quem sabe, ter força para uma futura aliança governista – Avante camarada, avante, junta a tua à nossa voz. Depois temos o PCP... ainda meche?
 
E, enquanto o povinho agoniza, os partidos políticos preparam-se para as eleições européias, que mais não serve senão para ver como é que andam os resultados das “equipes” no “campeonato da primeira divisão” da política portuguesa.
 
Olhem... aguentem-se.
 
Que bem que se está no Brasil!
apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: porreiro
música: Internacional Socialista
publicado por Farroscal II às 21:51
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Portugal e a crise

A CRISE

Hoje fui ler o site do Público.

Assustei-me ao ver isto.

 

Qual crise?

Mas fiquei muito mais descansado ao ver aquilo.

 

Prioridades são prioridades. Só espero que ninguém se engane e seja apanhado no telão a jogar ao solitário.

apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: um cómico
música: a Internacional Socialista
publicado por Farroscal II às 14:14
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

"Desobediência Civil"

Na sexta-feira passada tive o prazer de participar num churrasquinho em casa de um grande amigo. Esse amigo é um grande advogado. Não porque tenha um grande escritório com clientes importantes, ou porque ganhe muito dinheiro. Nada disso. Ele é verdadeiramente um grande advogado, para quem os honorários não são propriamente o mais importante. É daqueles que ainda se preocupa com a causa do fraco e do oprimido. Ele, e o sócio, acham que a prática da justiça está acima dos interesses pessoais e daquilo que a prática da profissão pode ter de “melhor”. É, também, uma pessoa activa no meio político, pois no Brasil quem mexe com causas sociais não consegue se alhear da política (o Brasil tem uma sociedade muito diferente da portuguesa e num futuro próximo tentarei explicar isso melhor).

 
Como tal, é um homem com muitos e bons amigos. Numa mesma festa ele consegue juntar juízes, advogados, sociólogos, professores, políticos “de carreira”, jornalistas, activistas sociais e gente comum sem ter onde cair morta (como eu). Todos admiradores das suas excepcionais qualidades humanas.
 
Quando cheguei à dita festa deparei-me com uma mesa que discutia, de forma bem acesa, sobre a importância política dos juízes. Desse quadro faziam parte o aniversariante advogado, um juiz, um sociólogo e mais três pessoas que eu não conhecia.
 
Cumprimentei as pessoas e sentei-me, calado e reduzido à minha insignificância perante o excelso painel de palestrantes.
 
Um dos presentes (que eu não conhecia) afirmava que faltavam juízes de esquerda que usassem dos seus poderes para combater o capitalismo burguês instalado no Brasil. Ao que o juiz rebatia que não compete aos juízes esse tipo de atitudes, mas sim fazer cumprir as leis.
 
- Mas são leis injustas, feitas por uma minoria burguesa que as fez para defender os seus interesses capitalistas. – Dizia o primeiro.
- Se são injustas não me cabe a mim julgá-las. A mim cabe-me fazê-las cumprir, se não, estaria a julgar em causa própria. – Respondeu o Juiz.
 
E a conversa (porque era uma conversa e não uma discussão) decorria animadamente. A mim agradava-me o facto que assim fosse. Nunca gostei de discussões sobre política. Conversar e rebater idéias é uma coisa, alterar-se por causa de pessoas que não comungam das suas idéias é outra completamente diferente.
 
A certa altura abstraí-me da conversa para ver como estavam a minha mulher e a minha filha e eis que, a certa altura, escuto a frase “desobediência civil”.
 
Voltei rapidamente a minha atenção de novo para a conversa, e deparei-me de novo com o primeiro interlocutor a defender a desobediência civil como forma de luta contra aquilo que achava estar errado.
 
Foi aí que não me consegui conter e, como de costume, meti-me onde não era chamado.
 
- Desculpe, está a defender a desobediência civil para impor as suas idéias? – perguntei.
- Como forma de combater o poder de uma minoritária burguesia capitalista que usa o poder para fazer prevalecer os seus interesses.
- Mas, essa dita minoria, como lhe chama, foi eleita pela maioria.
- Essa maioria é manipulada e mantida alienada pelos meios de comunicação sustentados pelo poder do capital.
- Isso em parte é verdade (disse eu). Eu sou profissional de comunicação, já fui jornalista, e tenho plena noção de como as coisas funcionam. Claro que há muitas jogadas para ambos defenderem os seus interesses, mas, mesmo assim não posso concordar com a desobediência civil. Já parou para pensar que eu, como hipotético eleitor dessa minoria burguesa posso preferir as idéias deles às suas e que, com isso, a sua desobediência civil mexe com a minha liberdade? Afinal a sua liberdade acaba onde começa a minha.
- Sim, no seu caso que é uma pessoa culta e informada sim. O problema é que a grande maioria da população brasileira tem um grau de escolaridade muito baixo e não consegue ver essa manipulação.
- Nisso tenho que concordar. Contudo, ao querer impor as suas idéias de forma menos licita está a proceder de forma quase igual à da burguesia capitalista, por muito boas que sejam as suas intenções.
 
Neste ponto outras pessoas começaram a dar as suas idéias, e a conversa entrou pelos caminhos da liberdade. Como esse tema é complicado e não existe um significado absoluto para “liberdade”, nem vale a pena continuar os diálogos.
 
O que me tinha assustado fora a “desobediência civil”. Essa eu não posso aceitar. Não aceito que mexam na ”minha liberdade”. Por muito alienado e manipulado que eu possa ser, não posso concordar com isso. Por muito que não se concorde com os poderes instalados, e eu também não concordo com muitos, por muito que seja difícil lutar de forma igual contra esses poderes, num estado dito democrático, não se pode recorrer à desobediência civil como forma de imposição das nossas idéias, ou como forma de luta contra aquilo que achamos injusto.
 
Quando cheguei ao Brasil encontrei uma cultura e uma sociedade muito diferente daquilo a que estava habituado. Tive que rever muitos dos meus conceitos que, efetivamente, não se adequavam com a realidade que encontrei.
 
Como nunca fui de me acomodar com a injustiça, hoje, como cidadão brasileiro que, também, me considero (em Roma sê romano), abracei algumas causas sociais e de luta contra as injustiças de um poder político, na sua maioria, corrupto. Contudo, nunca entrei por caminhos menos lícitos para alcançar os meus fins. É uma luta desigual? É. Frustrante por vezes? Também. Mas com muitas pequenas vitórias. Não se consegue mudar tudo na velocidade que se gostaria, mas, devagarinho, vou levando a água ao meu moinho.
 
Agora, lanço um desafio aos meus pouquíssimos leitores. Concordam com esta desobediência civil? Fico à espera das vossas opiniões.
apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: produtivo
música: Vai Passar - Chico Buarque
publicado por Farroscal II às 16:55
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Acabar com os ricos ou acabar com os pobres?

 

Divagações de um porco.
 
Li algures há muito tempo (não lembro aonde nem se foi verdade), que quando Otelo Saraiva de Carvalho visitou a Suécia, no pós 25 de Abril, teria dito a Olof Palme que em Portugal ”queremos acabar com os ricos”, ao que o malogrado primeiro ministro sueco da altura teria respondido que na Suécia “queremos acabar com os pobres”.
 
Olof Palme foi um dos maiores exemplos da Social-Democracia, conseguindo conciliar uma economia de mercado com um estado social. Durante a sua governação a Suécia gozou de uma forte economia e dos níveis de assistência social mais altos no mundo. Contudo, incomodava muita gente, e acabou levando com uns “balázios” quando saía do cinema.
 
Já Otelo, conhecido herói da democracia portuguesa, preferia infundir as suas idéias à lei da bomba.
 
Mas este post não é para falar das idéias do Olof Palme nem do Otelo, mas sim para escrever umas porcarias sobre se devemos acabar com os ricos ou com os pobres.
 
Os defensores das causas mercadológicas, do capital e da globalização (leia-se direita) preferirá, obviamente, acabar com os pobres. Enquanto que os defensores das causas trabalhistas, da igualdade e da liberdade para todos, da divisão de riquezas (leia-se esquerda) preferirá acabar com os ricos (dividindo os seus bens pelos menos afortunados).
 
Mas deixem-me voltar um pouco atrás e explicar como começou esta minha indagação.
 
Tudo começou com as notícias que davam conta dos pacotes bilionários para ajudar o sector financeiro. Meio mundo levantou-se para criticar tais medidas que serviriam para ajudar banqueiros já podres de ricos e que esse dinheiro poderia acabar com a fome de milhões de pessoas no mundo. É uma verdade! Mas, se pararmos para analisar que as instituições financeiras não são casas de caridade e que todo o mundo “gira” em função das mesmas, poderemos facilmente concluir que acabar com a fome no mundo em vez de ajudar os bancos seria uma catástrofe.
 
Se com esse que dinheiro acabássemos com a fome no mundo, em vez de auxiliar a banca, isso traria conseqüências bem mais gravosas. Para além de milhões de pessoas e empresas perderem as suas poupanças, e com isso ficarem mais pobres, todo o funcionamento do mercado (principalmente o alimentar e o de logística) entraria em colapso levando ao caos e a bilhões de famintos (desculpem se estou a ser um néscio completo, mas nós os porcos pensamos mal como o caraças). Na minha estúpida opinião, é claro que se tinha que auxiliar o sector financeiro.
 
Mas voltemos ao pobres e aos ricos.
 
Os pobres sempre foram instrumento, e a razão, das causas políticas. Direita e esquerda sempre se gladiaram para ter o apoio destes. Uns com promessas de crescimento econômico, outros acenando com a igualdade entre todos, com divisão de riquezas.
 
Os exemplos de governos de esquerda no mundo são bastante elucidativos. O Exemplo chinês é o melhor. Depois da revolução cultural, para “fazer sair as serpentes da toca”, caiu numa feroz ditadura envolta, diz-se, em corrupção. Na década de 80 abriu as portas ao mundo capitalista e teve um forte crescimento econômico. O problema é que naquela liberdade e igualdade, uns são mais livres e iguais que outros. Hoje o aparecimento de bilionários, fruto desse mesmo crescimento, é o contraste com milhões que trabalham em condições sub-humanas, mal pagos, que sustentam essa dita igualdade e o crescimento econômico daquele exemplo de socialismo. E existem mais uns quantos exemplos dessa divisão de riqueza e liberdade espalhados pelo mundo. Eu até simpatizo com algumas idéias de esquerda. O problema é que o poder corrompe.
 
Já a direita é mais refinada. Corrumpida de origem (afinal chegar ao poder custa dinheiro) com os senhores do capital. Gaba-se da democracia, da liberdade de expressão, do crescimento econômico de todos. Deixa o pessoal ter tudo o que quer e, para isso, até deixa o pessoal se endividar até à medula. Todos crescem, todos são estimulados a adquirir e a gastar. É uma maravilha. O dinheiro corre a rodos. O pior é quando aparecem umas crisezitas e o pessoal vê que afinal não tem nada e até o que nada tem lhe é tirado para pagar o que não tinha.
 
Conclusão: Os ricos continuam ricos e os pobres continuam pobres... apesar das ideologias que os governam.
 
Então será que o problema é meramente político? Creio que não. Por muito que deitemos as culpas ao capitalismo, ao comunismo e ao diabo a quatro, o problema começa em cada um de nós.
 
Acabar com os ricos não é solução. Vamos acabar com os pobres?
 
É cada um de nós que tem que, voluntariamente, começar a aprender a dividir, a cuidar do que é de todos. Deixar de querer ter tudo só para si (e os outros que se lixem), para passar a partilhar, livremente e não por imposição. É deixarmos de viver em função do que temos, para vivermos em função do que somos.
 
O mais engraçado, sem graça nenhuma, é que a maior parte dos líderes que defendiam isso foram mortos. Começou com Um há dois mil anos atrás, que acabou numa cruz, e por aí foi, passando por Olof Palmes, Gandhis e tantos outros.
 
Umo comentador do blog, elegantemente me chamando de burro, disse que as minhas ideias “mais não são que um desfilar de idiossincrasias velhas e gastas”. Talvez tenha razão. Por isso perdoem-me pela minha inocência e utopia. Afinal sou apenas um porco burro a tentar pensar pela própria cabeça.
apesar de ainda não ser destaque do Sapo... sinto-me: divagando
publicado por Farroscal II às 16:46
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